CRISE [!] - REVISTA DE ARQUITETURA E URBANISMO

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Campanha Ficha Limpa contra a candidatura de políticos em débito com a Justiça


A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

Atuam nesta campanha cerca de 40 entidades de respeito e credibilidade, que constituem o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), entre as quais a Associação Brasileira das ONGs, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Instituto Ethos, o Ibase e centrais sindicais.

O Projeto de Lei de iniciativa popular precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer em todas as eleições brasileiras. Para isso, é preciso que 1% do eleitorado brasileiro assine esse Projeto, o equivalente a um milhão e trezentas mil assinaturas.

Para participar da Campanha Ficha Limpa é preciso imprimir o formulário de assinatura.

Depois de assinar e registrar o número do título de eleitor no documento, basta enviá-lo para o endereço SAS, Quadra 5, Lote 2, Bloco N, 1º andar - Brasília (DF) - CEP. 70.438-900.

Acesse o formulário aqui.

O Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos pretende:

* Aumentar as situações que impeçam o registro de uma candidatura, incluindo:
  1. Pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Essas pessoas devem ser preventivamente afastadas das eleições ate que resolvam seus problemas com a Justiça Criminal;
  2. Parlamentares que renunciaram ao cargo para evitar abertura de processo por quebra de decoro ou por desrespeito à Constituição e fugir de possíveis punições;
  3. Pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.
* Estender o período que impede a candidatura, que passaria a ser de oito anos.

* Tornar mais rápidos os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições, fazendo com que as decisões sejam executadas imediatamente, mesmo que ainda caibam recursos.

Mais informações aqui.

-------------------------------------------------

Presunção de inocência: não aplicação às normas sobre inelegibilidades

Discutiu-se intensamente ao longo das últimas eleições a possibilidade de vedar-se a
candidatura de pessoas que ostentem graves indicativos em sua vida pregressa, ainda que não consistentes em condenações criminais de que não caiba recurso. Agora, diversas iniciativas buscam promover a discussão, no Congresso Nacional, de projetos de lei que disciplinem a matéria.

A constitucionalidade de uma lei que considere outros fatores de notável gravidade é alicerçada pelo que expressamente estatui o § 9° do art. 14 da Constituição Federal. Diz o dispositivo que "Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato(...)".

Como se vê, é a própria Constituição da República quem expressamente determina ao legislador que estipule quais elementos da vida pregressa dos candidatos podem afastá-los dos pleitos.

Infelizmente, passados quase quinze anos desde a edição do comando constitucional (o texto passou a ter a redação atual em 1994), o Congresso Nacional permaneceu omisso em seu dever de regular a matéria.

Diz-se que o princípio da presunção de inocência, também sediado na Constituição, estaria a impedir que condenações não transitadas em julgados viessem a infirmar a elegibilidade de alguém.

Essa alegação é destituída de fundamentação jurídica, pois se volta apenas a impedir a aplicação imediata das sanções de natureza penal. E inelegibilidade não é pena, mas medida preventiva.

A sociedade tem o direito de definir em norma o perfil esperado dos seus candidatos. Diz, por exemplo, que os cônjuges e parentes de mandatários em algumas circunstâncias não podem disputar eleição. Isso se dá não porque sejam culpados de algo, mas porque se quer impedir que se valham dessa condição para obter vantagens eleitorais ilícitas. Ninguém propôs quanto a isso que aí residisse qualquer afronta ao princípio da não-culpabilidade.

Afirmar-se que o princípio da presunção de inocência se estende a todo o ordenamento jurídico constitui evidente impropriedade. Estender-se-ia ao Direito do Trabalho, para impedir a demissão de um empregado ao qual se atribui crime de furto até que transite em julgado a sua condenação criminal? Serviria ele para impedir que uma creche recuse emprego a alguém que já condenado por crimes sexuais contra crianças?

Diante de tais razões, os juristas abaixo-assinados afirmam que o princípio da presunção de inocência não se aplica ao tema das inelegibilidades.

Aristides Junqueira
Augusto Aras
Celso Antônio Bandeira de Mello
Edson de Resende Castro
Fábio Konder Comparato
José Jairo Gomes
Hélio Bicudo
Mario Luiz Bonsaglia
Márlon Jacinto Reis
Ricardo Wagner de Souza Alcântara

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Desregulamentação das profissões um processo (ir)reversível?

Aproprio do título de um e-mail que Oliveira Jr enviou através da lista.

Gilberto Dimenstein afirma que "a partir de agora, para você ganhar um título de mestre não será mais necessário entregar aquelas gigantescas dissertações, repletas de citações, rodapés, tudo isso embrulhado na hermética linguagem universitária".

Geraldo Magela Teixeira afirma que "para trabalhar as notícias, precisamos de profissionais competentes."

Ambos os autores comentam sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal que desobrigou a exigência de diploma de curso superior para exercer o jornalismo.

Bom, penso que desregulamentar não é a solução, definitivamente. Regulamentar exacerbadamente, também não.

Senão, vejamos: "Por que um aluno de engenharia não poderia dar aula de física ou matemática numa escola pública? Bastaria que tivesse uma ajuda para saber transmitir seu conhecimento." No exemplo, o professor possui diploma universitário ou está em vias de. Não é um autoditada.

E é o que o professor Geraldo Magela Teixeira chama a atenção. De que talvez a pessoa não precise de um curso superior de jornalismo, mas de um curso de pós graduação ou de que ela tenha formação superior em ciências humanas ou sociais aplicadas para ser jornalista.

Recentemente, a Revista aU debateu o fim das faculdades de arquitetura e urbanismo.

Volto a baila. Creio que não é para tanto. Como a profissão requer e exige cada vez mais uma gama maior de conhecimento, realmente o que as faculdades devem fazer é o que o Gilberto sugere: incentivar que os professores atuem no mercado inclusive e buscar professores com outras experiências e de outras áreas. Assim, formarão profissionais mais dinâmicos, completos e aptos para atuarem no mundo que exige um profissional cada vez mais eficiente e eficaz.

Qual o profissional tem que saber/entender um pouco de tudo e dialogar com vários profissionais de diversas áreas? As universidades devem estar atentas a isso. E algumas estão.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Lelé preside o recém-lançado Instituto Brasileiro de Tecnologia do Habitat

O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, é o presidente do recém-lançado Instituto Brasileiro de Tecnologia do Habitat (IBTH), com sede em Salvador. O instituto atua como uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e pode trabalhar junto ao poder público. O primeiro projeto já está na prancheta: o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região da Bahia. São 100 mil m2 de construção.

O Instituto deve atuar em várias áreas: pesquisa, projeto, fabricação e educação. "Queremos criar um centro de pesquisas, como é o CTRS (Centro de Tecnologia da Rede Sarah). Será uma fábrica, mas vamos atuar também no ensino. Já estudamos convênios com a UFBA (Universidade Federal da Bahia) e com a Escola da Cidade, em Salvador", explica Lelé. A ideia é trabalhar com as experiências anteriores, sempre voltadas ao interesse social, e com pesquisas já realizadas no CTRS, principalmente com pré-fabricados de argamassa armada. Com o fim das obras dos hospitais da rede Sarah, o CTRS passou a trabalhar em escala reduzida, apenas para a manutenção dos hospitais. "Ainda estou envolvido com eles, e sou consultado quando há necessidade. Mas o trabalho foi muito reduzido para a escala do que o CTRS pode fabricar", conta.

Fonte: PINIWEB

-------------------------------------
Adorei a notícia.

Lelé trabalha em equipe e parte do pressuposto de que a arquitetura não é do arquiteto, não é do médico, não é de ninguém. Ela é para alguém. A arquitetura deve servir as necessidades do homem.

Para Lelé, a arquitetura é um processo que começa na discussão do programa e se estende na ocupação do edifício. Ou seja, nuca termina. Lelé, em entrevista à Revista Au de outubro de 2008 afirma que "o mais importante que eu acho que temos de fazer é investigar nossos erros. Investigar para corrigir. Se você não tiver um feedback, se não tiver a arquitetura como um processo, parece que você esqueceu uma coisa que foi feita lá e que não tem mais nada com isso. É como se você colocasse um filho no mundo e depois esquecesse que ele existe.

E um ser humano não faz assim. É preciso que a arquitetura seja encarada como um processo. Não como um episódio que envolve a criação no primeiro momento ou apenas a construção. Tem de ser integral."

Por isso e por outras características, a presidência do IBTH abriu outra oportunidade para que Lelé chacoalhe mais uma vez os paradigmas arquitetônicos.

Talvez isso reforce o telefonema que seu amigo Oscar recebeu de seu outro amigo, Roberto, como relata o Fernando Lara em um ótimo texto.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Canteiro em Obras III - Sejam bem vindos, Calouros

Tendo em vista que alguns egressos querem contribuir, o Canteiro de Obras III foi adiado para o dia 22 de agosto.

O Escritório de Integração, com apoio do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, convida todos os professores, alunos veteranos, funcionários e interessados para participarem do Canteiro em Obras III para recepcionar os Calouros do 2º semestre de 2009.

A exemplo do primeiro e do segundo evento, o Canteiro em Obras III tem como objetivo ocupar o canteiro de obras (terreno adjacente ao prédio 47 do campus Coração Eucarístico destinado ao uso do curso de Arquitetura e Urbanismo) que atualmente funciona como depósito de materiais, preparando a área utilizando os materiais ali desponíveis para construir uma arquitetura de caráter efêmero, aplicando assim os princípios do ready made na arquitetura, dando aos materiais novos usos, estimulando a criatividade através da técnica e incentivando os professores, extensionistas, alunos, arquitetos voluntários e convidados a produzir e pesquisar todos os tipos de conhecimento vinculados ao projeto e à construção de espaços, desde à sua concepção até sua apropriação.

Mais na véspera enviaremos mais informações sobre as oficinas e tudo o mais.

Texto originalmente publicado no Integração.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Canteiro em Obras II




O objetivo do E.I. é levar a arquitetura e o urbanismo para toda a cidade. Assim desenvolve trabalhos com todo tipo de público, áreas e intervenções; e busca sempre a melhoria e inovação dos projetos e técnicas tradicionais e a abertura de novos mercados de trabalho. Portanto, temos como principais focos:

• Reabilitação de áreas urbanas degradadas;
• Recuperação e operacionalização da capacidade instalada nas cidades (viadutos, prédios abandonados, inacabados e paliteiros...) e do patrimônio coletivo da comunidade urbana;
• Desenvolvimento tecnológico da construção civil para minimização dos impactos ambientais negativos originados na atividade, em todas as etapas de seu processo;
• Assessoramento técnico à sociedade organizada na implantação e desenvolvimento de práticas habitacionais e de recuperação ambiental autogestionária;
• Participação em congressos, simpósios, seminários;
• Produção de textos acadêmicos.

O atual Projeto Pedagógico do curso de Arquitetura e Urbanismo, que entrou em vigor em 2008, estabelece o Escritório de Integração como um centro de investigação e de transformação das práticas tradicionais da arquitetura a partir dos temas da inclusão social, da tecnologia da construção (aproximação entre canteiro de obras e projeto) e da sustentabilidade.

Como um dos instrumentos de articulação entre teoria e prática, criou-se a Escola de Formação de Mão de Obra, que também integra o Projeto Pedagógico do CAU – PUC Minas, que congregará atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão por meio de seu Canteiro em Obras.

O Canteiro em Obras, potencialmente, para além dos cursos de formação de mão-de-obra, abrigará atividades de várias das disciplinas do novo currículo de graduação (suporte das atividades dos laboratórios de pesquisa e de extensão do quarto ao sétimo períodos) e da futura pós-graduação, constituindo-se num ambiente de ensino-aprendizagem no qual circulam todos os tipos de conhecimento vinculados ao projeto e à construção de espaços.

Dessa forma, a EFMO e o CO configuram-se como uma oportunidade de revisão e rearticulação das atividades do EI e do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas.

Ou seja, este Canteiro é um local essencial para a proposta didática do novo Projeto Pedagógico do curso de Arquitetura e Urbanismo que visa o aprendizado com efetiva experimentação.

Com o intuito de estimular a integração dos professores e dos alunos da graduação com o Escritório de Integração, bem como apropriar o espaço para que ele cumpra a finalidade expressa no Projeto Pedagógico, o Escritório de Integração promoveu dois eventos no Canteiro em Obras.

No evento do dia 30 de maio, conforme as fotos, os alunos foram convidados a construir uma cerca na divisa do canteiro de obras com o terreno adjacente, utilizando o protótipo do primeiro evento, bem como um sombreador, projetado sob orientação do professor Maurício Leonard.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Piscinões contra enchente não é solução. Manifesto por cidades melhores

No Parede de Meia, o Fernando, ao falar sobre o Centro Administrativo de Minas Gerais, comenta que deparou "com esse elefante branco projetado pelo centenário Niemeyer que servirá de centro administrativo do estado." Segundo Fernando, a obra "não havia nenhuma forma de compatibilização entre os vários projetos, erros primários relativos a insolação, absoluta ausência de detalhes. Pra não falar na oportunidade perdida. Com o centro da cidade esvaziado, as secretarias e autarquias estaduais poderiam ter se instalado em dezenas de edifícios que estão sub-ocupados."

Comentei no post do Fernando que ele ficaria chocado quando revisitasse as favelas. Pois o que acontece no Centro Administrativo de Minas Gerais é o mesmo que acontece nas favelas, no Arrudas, em nossas cidades. Senão, vejamos.

Construiram, no Aglomerado da Serra, uma avenida de 16 metros de largura, a Via Cardoso. Um paredão de concreto que dava para construir "zilhões" de prédios populares que a prefeitura construiu "democraticamente" na favela. Fizeram uma contenção monstruosa e desnecessária. Tirantes e concretos absurdamentes desproporcionais para a área.

Segundo o Edézio Teixeira, em seu livro Geologia Urbana para Todos: uma visão de Belo Horizonte, temos o conhecimento técnico e o conhecimento do lugar e não o utilizamos por que não nos interessa. Construimos ambientes de péssima qualidade porque simplesmente não utilizamos todo o conhecimento que possuimos sobre a cidade.

Ou seja, preferimos utilizar soluções convencionais a específicas do lugar não por falta de conhecimento, e sim de propósito.

Nos dizeres do Edézio Teixeira: "ocorrem frequentemente situações em que atores privados ou mesmo estatais dispõem de conhecimento e DELIBERADAMENTE não o utilizam."

E hoje recebo um email do professor Edézio que exemplifica ainda mais o que estou falando:

"Caro Álvaro: Os piscinões que você vaticinou para BH chegaram de fato (Ver jornal O Tempo, hoje)! Anote como são as ironias da vida: Eu, que sou febrilmente político, mas apartidário (morro de raiva de partidões e partidinhos), encontrei num prefeito petista, o Patrus, a oportunidade de propor, participar e conduzir grande parte dos estudos geológico-geotécnicos de Belo Horizonte, nos idos de 1993 a 1995, que são ainda dos melhores que há, pode ter certeza. Na ocasião fizemos vários estudos e propostas para a gestão da água, explicitando suas três grandes dimensões de planejamento (suprimento, agente geodinâmico e geotécnico e veículo do poluentes e contaminantes), deixando claro na ocasião que a gestão segmentada, à européia cartesiana, representava a certeza de que nada conseguiríamos de avanço na solução dos problemas associados (aliás, porque é que a água acaba senão também por ser jogada fora?); foi nessa ocasião que desenvolvi o método geológico que você viu bem mais tarde aplicado a Contagem e imortalizou em seu livro, e que foi apicado com pleno e evidente êxito em Belo Horizonte mesmo em 2006 a 2008.

Agora presidente do mesmo partido e prefeito do mesmo partido, possivelmente com a anuência de governador de posições incertas (vide transposição do São Francisco) adotam a solução cartesiano-malufiana dos piscinões para o Arrudas. Precisamos inundar este país, mas não de água e sim de conhecimento sobre a terra, do contrário a coalisão do paradigma hidráulico eurocêntrico, combinada com a obediência cega a leis anti-naturais levar-nos-á a todos para o buraco. Isto não é menos importante que as necessárias militâncias partidárias, você não acha? Estou a ponto de pedir exclusão da SBG, ABGE, SPG e IAEG, por absoluta falta de defesa da boa ciência.

Por se tratar de questão que considero relevante, peço-lhe compreender a necessidade que tenho de dividir este verdadeiro pedido de socorro com meus outros destinatários.

Por que os piscinões podem variar, mas a filosofia é a mesma: Você retém águas durante as chuvas pesadas e depois as descarrega. É claro que não conheço pormenores, mas há uma barragem no Bonsucesso (aquele córrego que corre descendo paralelamente ao Anel Rodoviário em BH no sentido da serra para a Betânia e pelo menos uma área para o córrego Ferrugem em Contagem). Da minha visão geológica é o maior crime ambiental de sempre descarregar as águas da terra sem a menor manifestação dos órgãos ambientais, que parecem crer que esteja tudo bem. Com o Arrudas sobrecarregado vi com alunos de Arquitetura e Urbanismo da PUC, da disciplina da Margarete Leta, em execução mais uma canalização de grande porte. Daqui a 10 anos a solução será alargar de novo o Arrudas.

Grande abraço.

Edézio Teixeira de Carvalho
edeziotc@gmail.com"


Para saber mais sobre os piscinões de contenções de enchentes, acesse
aqui e aqui.

Será que o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal não podem fazer nada? E nós? O que podemos fazer?

Está na hora de não apoiarmos mais em um gênio e apoiarmos no grupo, no movimento. Extinguir a cena e criar um
mundo arquitetônico.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Cadê os arquitetos urbanistas?



Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, "a origem do Programa Vila Viva está diretamente relacionada com o Plano Global Específico de cada vila atendida. O plano é um estudo aprofundado da realidade das vilas e favelas de Belo Horizonte, com participação direta da comunidade. Este projeto é realizado em três etapas: levantamento de dados, elaboração de um diagnóstico integrado dos principais problemas da área em estudo e, por último, definição das prioridades locais e das ações necessárias para atendê-las."

No dia 19/05/2009 ocorreu, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, uma reunião pública para debater o tema. A ata dessa reunião encontra-se aqui.

A reunião ocorreu "em função da amplitude do projeto (Vila Viva), pelo fato de ele dizer respeito a milhares de famílias em Belo Horizonte e por haver polêmicas e controvérsias a seu respeito enquanto medida de deslocamento de comunidades em situação de risco e como política habitacional".

Estiveram presentes representantes da Prefeitira e da Câmara Municipal, além de Defensores Públicos e representantes das comunidades.

Segundo o Defensor Público Marcelo Nocolielo, "a Prefeitura deixa demolições parciais. Ela deixa as casas demolidas pela metade, formando um aspecto de campo de guerra. Deixar poeira e entulho no meio das ruas e vergalhões de ferro por onde as crianças passam é uma forma de pressionar a resistência que existe dentro da comunidade a sair o mais rápido possível. A própria comunidade passa a brigar uma com a outra, como estou vendo aqui. Aí vemos uma foto em que as crianças, quando voltam das escolas, precisam ultrapassar alguns obstáculos, que são essas demolições deixadas no meio do caminho com vergalhão de ferro.

Onde é feito um talude não há nenhuma proteção para que as pessoas passem. Vocês estão vendo o exemplo de algumas casas que são demolidas parcialmente. Esse é o aspecto deixado na comunidade como um campo de guerra. Esta outra foto de uma outra demolição talvez represente o que está acontecendo no Brasil.

No Brasil, o Estado Democrático de Direito exige a participação da comunidade no processo de urbanização. A bandeira nacional está furada, rasgada porque não houve um processo democrático nas decisões de urbanização no Programa Vila Viva, especialmente nas agrovilas, conforme foi apurado pela Defensoria Pública. O Estatuto da Cidade foi vulnerado, o plano diretor foi vulnerado e a Prefeitura tentou maquiar uma participação da comunidade que não houve.

A título de exemplo, tenho aqui uma forma de conduzir a participação democrática por parte da Prefeitura e da Urbel. Em quatro anos em que foi feito o Plano Geológico Específico - PGE - do Morro das Pedras, houve duas reuniões na Vila Antena, que tem 1.600 pessoas. Em uma das reuniões, em 15/12/2003, para apresentar o PGE, discuti-lo e aprová-lo, foram 13 pessoas da comunidade. Embora não haja uma ata, há um relatório da reunião.

A técnica social informou que “procurou tranquilizar os moradores sobre as formas, como as remoções se darão, ou seja, sempre com a participação e a concordância da família”. Vocês têm agora um instrumento para exigir que todas as remoções sejam com a concordância das famílias. Foi isso que a técnica social prometeu em uma reunião em 2003."

O Presidente da URBEL, representando o Município de Belo Horizonte, não refutou essas palavras. E os arquitetos? Onde estão nessa questão?

Além de demonstrar que o programa "Vila Viva" é polêmico, esse fato é um exemplo cabal de que o arquiteto urbanista está, nas palavras de Koolhaas, abandonando a cidade ou quaisquer outras questões gerais; o arquiteto urbanista não tem discurso sobre organização territorial, nenhum discurso sobre povoamento ou co-existência humana.

De fato, o futuro não é nada promissor.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

O futuro - nada promissor - da arquitetura

A Ana Luiza Nobre afirma que "inúmeros problemas assolam atualmente a prática carioca da arquitetura, como a falta de referências intelectuais e projetuais contemporâneas, o descolamento entre arte e arquitetura, a escassez de concursos públicos e a inexistência de um debate capaz de ganhar a esfera pública, que se traduz no assombroso silêncio profissional diante da falta de foco das operações cada vez mais midiáticas da prefeitura carioca."

Infelizmente esse fato ocorre em qualquer lugar do Brasil, não somente no Rio de Janeiro. Pode-se trocar a palavra carioca por mineira, bahiana, paraense, gaúcha, matogrossense , brasileira que o sentido não muda.

Por sugestão da Ana, compartilho o discurso do Rem Koolhaas, quando ele ganhou o Prêmio Pritzker em 2000, para que possamos refletir sobre o papel do arquiteto urbanista no mundo.

“Eu preparei um pequeno discurso. E talvez eu deva começa-lo com uma anedota. Pode ser uma anedota estranha, mas vir da Holanda e ter nascido em 1944 significa paradoxalmente que eu fui ignorante na questão do Judaísmo até os 21 anos. Na minha juventude, no meu país, era completamente incomum apontar as origens religiosas ou raciais de alguém, era um assunto que nunca falávamos. Isso mudou drasticamente quando eu fui pela primeira vez à Nova Iorque, e fui recebido, no Instituto de Arquitetura e Estudos Urbanos, liderado pelo arquiteto Peter Eisenman, que a meu ver merece o Prêmio Pritzker ainda mais que eu.

A primeira vez que estive lá, Peter Eisenman me pegou pelo casaco, assim, de uma maneira bem agressiva, e disse: “Você sabe porque você está aqui, Koolhaas?” E eu disse, “Não”. “Você está aqui para representar o elemento Gótico”. Então isso me pôs em meu lugar e provavelmente explica alguns dos meus sentimentos aqui. De qualquer forma, eu quero começar pelos meus agradecimentos. Eu agradeço Cindy Pritzker e a família Pritzker e a sua fundação por sua excepcional identificação com arquitetura. Eu agradeço ao júri pela tão inspirada decisão este ano. Eu agradeço aos meus parceiros em meu escritório O.M.A. Todos e cada um dos quinhentos e cinqüenta deles fizeram contribuições que agora se mostram cruciais. Eu agradeço ao Harvard Design School por apoiar minha dupla vida como futurista. Eu agradeço aos meus clientes que engatilharam nosso trabalho encarregando-nos de suas necessidades.

Depois de meus agradecimentos eu escrevi três pequenas anedotas, ou três pequenos episódios que para mim indicam tanto o passado recente da arquitetura quanto a atual situação da arquitetura e o talvez iminente, futuro da arquitetura. E eu quero discutir algumas das potenciais evoluções que eu – se não for cuidadoso, afastarei da possível evolução num futuro iminente. Eu quero começar em 1950 – cinqüenta anos atrás. Cinqüenta anos atrás, a cena arquitetônica não apoiava-se num indivíduo singular, o gênio, apoiava-se no grupo, no movimento. Não havia cena. Havia um mundo arquitetônico. A arquitetura não lidava com a maior diferença possível, mas sim com as sutilezas que poderiam ser desenvolvidas dentro de um estreito campo de semelhanças dentro da generalidade. Arquitetura era um continuum que terminava com o urbanismo. Uma casa era vista como uma pequena cidade. A cidade vista como uma imensa casa. Esse tipo de arquitetura enxergava-se como ideológica. Sua política abrangia todo o caminho entre o socialismo e o comunismo e todos os pontos intermediários. Grandes temas foram adotados para além da arquitetura, não a partir da imaginação individual da cabeça dos arquitetos. Os arquitetos estavam seguros em seu alinhamento com o que então se chamava sociedade, algo imaginado e que podia ser fabricado. Agora estamos em 2000, cinqüenta anos depois da idílica caricatura que eu descrevi a vocês. Nós temos Pritzkers, temos uma quantidade razoável deles sentados aqui na primeira fila – portanto nós temos identidades únicas, singulares, assinaturas até. Nos respeitamos um ao outro, mas não formamos uma comunidade. Não temos projetos juntos. Nosso cliente não mais é o estado ou suas derivações, mas indivíduos privados frequentemente envolvidos em ambições arriscadas e trajetórias dispendiosas, que nós arquitetos apoiamos sinceramente.

O sistema é final. A economia de mercado. Nós trabalhamos numa era pós-ideológica e por falta de apoio nós abandonamos a cidade ou quaisquer outras questões gerais. Os temas que inventamos e sustentamos são nossas mitologias privadas, nossas especializações. Nós não temos discurso sobre organização territorial, nenhum discurso sobre povoamento ou co-existência humana. No máximo nosso trabalho brilhantemente investiga e explora uma série de condições singulares. O fato de que essa aparência de sítio arqueológico é enfatizada acima de sua responsabilidade política mostra que a inocência política é uma importante parte do equipamento do arquiteto contemporâneo.

Fico grato que o texto do júri para o prêmio 2000 me descreva como definidor de novos tipos de relações, tanto teóricas quanto práticas, entre arquitetura e a situação cultural. Isso é de fato um sentido do que estou tentando fazer. Apesar de prever muito mal o futuro, muito preocupado com o presente, deixe-nos especular por um momento sobre o próximo intervalo de cinqüenta anos – a arquitetura como vai ser praticada em 2050 ou, se tivermos sorte, um pouco antes.

Um desenvolvimento é certo. Nos últimos três anos, brick and mortar (tijolo e argamassa) evoluíram para click and mortar. O retail (varejo) virou e-tail e não há como exagerar na importância destas coisas. Comparado ao brilho ocasional da arquitetura agora, o domínio do virtual afirma-se com abandono selvagem e confuso e está se proliferando numa velocidade que podemos apenas sonhar. Pela primeira vez em décadas, e talvez no milênio, nós arquitetos temos uma competição muito forte e fundamental. As comunidades que não podemos imaginar no mundo real vão florescer no espaço virtual. Os territórios e demarcações que mantemos no chão são fundidas e moldadas além do conhecido num domínio muito mais imediato, glamuroso e flexível – o da eletrônica.

Após 4000 anos de fracasso, o Photoshop e o computador criam utopias instantaneamente. Nessa cerimônia neste local, a arquitetura está ainda fundamentalmente comprometida com a argamassa, como se apenas a proximidade com um dos maiores acervos reunidos da história da humanidade nos assegurasse outros 2 mil anos de usufruto de nosso nicho particular, e de nossa futura credibilidade. Mas o resto do mundo já liberou a arquitetura para nós. A arquitetura tornou-se a metáfora dominante, um agente controlador de tudo que necessita de conceito, estrutura, organização, entidade, forma. Apenas nós arquitetos não nos beneficiamos desta redefinição, ilhados em nosso próprio Mar Morto de argamassa.

A menos que quebremos nossa dependência do real e reconheçamos a arquitetura como uma maneira de pensar sobre todos os assuntos, do mais político ao mais prático e liberar-nos da eternidade para especular sobre novas, atraentes e imediatas questões, como a pobreza, o desaparecimento da natureza, a arquitetura talvez não chegue ao ano 2050.

Obrigado.

Rem Koolhaas”

Tradução: Lucas Girard e Gabriel Kogan

Domingo, 17 de Maio de 2009

Recuperação socioambiental da Área da Cascalheira

No dia 3 de junho começa o Seminário de Integração Ambiental da PUC Minas. "O Seminário objetiva dar visibilidade as ações efetivas em relação a temática ambiental no âmbito da puc minas e criar novas possibilidades e perspectivas a partir da articulação destas ações. O evento é uma oportunidade de socializar a produção e o potencial da PUC Minas e parceiros, com ênfase nas iniciativas voltadas as áreas protegidas e seu entorno, considerando biodiversidade, sustentabilidade e populações tradicionais. A data proposta coincide e comemora ainda o Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 junho – favorecendo o conhecimento, divulgação e a reflexão da comunidade acadêmica".

Apresentaremos no Seminário 2 projetos, além do Escritório de Integração em si. Acesse o blog do E.I. para conhecer todos os projetos.

Diretamente e formalmente trabalho no projeto financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da PUC Minas intitulado "Recuperação socioambiental da Área da Cascalheira: resgatando a cultura tecnológico-construtiva local, em parceria com a Associação dos Moradores do Condomínio Jardins de Petrópolis – Nova Lima – MG".

Abaixo, encontra-se o resumo do projeto que esperamos seja concretizado. As conversas com a Prefeitura de Nova Lima estão adiantadas e o Prefeito Carlos Rodrigues demonstrou, desde o início, interesse. É importante para a área e para a região a viabilidade do projeto.

Resumo do Projeto:

A região, objeto de estudo, é localizada na parte central do município de Nova Lima, Minas Gerais, a sudoeste da mancha urbana correspondente ao núcleo urbano sede do município, e é afetada por processos de degradação físico-ambiental, de origem antrópica, sendo encontradas nela, de maneira difusa e generalizada: erosões com ravinamento e voçorocamento, atingindo as redes de mesoestruturas implantadas, com assoreamento dos cursos d'água e destruição da cobertura vegetal.

O projeto prevê a cooperação tecnológico-cultural entre a Associação dos Moradores do Bairro Jardins de Petrópolis e o Escritório de Integração do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – EI/DAU/PUCMinas para a recuperação do equilíbrio ambiental da Área da Cascalheira, através do resgate do conhecimento tecnológico tradicional local, seu aprimoramento e difusão para que seja aplicado de maneira sistemática em toda a área objeto da intervenção, com emprego de mão-de-obra local.

A proposta é que a partir dos problemas identificados seja elaborado um estudo integrado sobre as origens e as manifestações dos problemas existentes para a busca de soluções ambientalmente sustentáveis, compatíveis e de baixo impacto, junto à comunidade local. A implementação das propostas será conduzida pela Associação de moradores em parceria com a Prefeitura Municipal de Nova Lima, utilizando mão de obra local capacitada. As soluções encontradas serão sistematizadas e divulgadas através a criação de um catálogo para que, além de serem adotadas na área, possam servir de referencia para lugares onde se manifestam patologias de mesma natureza, inclusive assentamentos informais.

A ideia base é a implantação de um processo que incorpore a dimensão do monitoramento, controle e gestão, diluindo ao longo dele os impactos das soluções propostas, vistas como etapas estratégicas para o re-equilíbrio ambiental do lugar. Com isso, não se pretende atacar a situação atual de emergência, pelo contrário, para ela serão previstas medidas de impacto para estancar as situações mais graves. As medidas consideradas de impacto nesta fase emergencial nada terão a ver com as medidas de impacto previstas em propostas consideradas usuais e serão moldadas dentro da visão que permeia esta proposta, ou seja, priorização de tecnologias que possam aproveitar os recursos locais sobre tecnologias hegemônicas mas dependentes de materiais e equipamentos transportados a longas distâncias, como por exemplo, o concreto armado ou das pavimentações asfálticas.

O impacto da ação emergencial será visível na alteração geométrico-visual da área. As ações sucessivas previstas no processo visam a metabolização destas soluções graças à reapropriação do lugar por parte do ecossistema local, que será muito parecido com aquele presente antes da intervenção humana que originou os problemas existentes.

Este trabalho vem sendo desenvolvido pelo EI/DAU/PUC desde o ano de 2004 em parceria com a Associação dos Moradores do Bairro Jardins de Petrópolis, sendo assim, este projeto de pesquisa se configura como a continuação de um trabalho pautado no conhecimento dos reais problemas abordados e nas soluções possíveis de recuperação da área em questão e se constitui um importante momento para a consolidação, sistematização e circulação do conhecimento entre a comunidade local e a comunidade acadêmica.

EQUIPE do E.I.:

• Coordenação: Alfio Conti e Margarete“Leta”
• Administrativo: Bruna Oliveira
• Estagiários: Alecsandra Cunha, Érico Oliveira, Fernanda Mingote, Laís Grossi, Lisandra Silva, Luana Silva, Luiza Soares, Marcelo Duarte, Marco Antonio Borges Netto, Mateus Hermeto, Renata Duarte.

Sábado, 16 de Maio de 2009

III Conferência Municipal de Política Urbana

Hoje algumas alunas do terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC, espontaneamente, convidaram os colegas a participarem da Etapa da Pampulha da Conferência Municipal de Política Urbana, que realizar-se-á no dia 20 de maio, às 18h30, na Escola Municipal Dom Orione. Muito positiva a iniciativa e o interesse das estudantes.

Espero que a participação dos cidadãos de Belo Horizonte nessa Conferência seja em massa.